FACILIDADES DO DIFÍCIL

Nunca fui grande fã das coisas difíceis. Ao contrário daqueles que adoram um desafio e as dificuldades da vida, sempre tive predileção pelas facilidades e por aquelas coisas que parecem fluir desde o primeiro instante. Perseverança não é meu forte.

Tragicamente falando, sempre tive mais medo de navio do que de avião. Sim, o avião pode se espatifar e todos morrerão em segundos, mas a ideia de ficar horas ou dias lutando pela sobrevivência sempre me causou maior temor. Cada um com suas loucuras.

E essa visão de mundo sempre me trouxe certo imediatismo. Quero as coisas agora e para ontem. Sou daquelas que se apaixona perdidamente pelo quer que seja, mas que logo logo já começa a pensar que talvez aquele grande emprego, viagem, curso ou pessoa não seja lá tudo isso. É que são muitas as ideias e possibilidades em uma mente inquieta demais.

O fácil, o rápido, o imediato. Assim como todas as outras coisas em minha vida, sempre pensei isso do amor. A velha frase “se bateu, bateu” era uma das mais utilizadas por mim. Pra ser amor de verdade, pra dar certo, tem quer ser rápido, fácil e instantâneo, sem dúvidas, sem dramas, sem possibilidades. Teve que pensar demais, não deve ser amor.

A emoção de seguir o primeiro impulso, de não parar pra pensar se é aquilo mesmo que tu queres, se é aquilo mesmo que pode te fazer bem, a certeza de que é tudo puro instinto e o conforto de que, quando tudo der errado, tu vai poder falar: “ah, mas pensando bem, não era mesmo o que eu queria pra mim.” Sempre fui assim.

Mas o tempo passa, as coisas acontecem e acabamos tendo que rever alguns conceitos. Daí minha surpresa. Não contava contigo. Não acreditava nas coisas pensadas, analisadas. Nunca pensei que uma (enrolada) história construída ao longo de 8 meses pudesse se transformar em algo melhor. Não fazia ideia de que o impulso, o instinto, faz muito mais sentido com uma bela dose de cumplicidade, de afinidade, de atração e de companheirismo.

Não tinha ideia do quão emocionante é aceitar que se tem exatamente o que se quer, do quão assustador é compreender que se pode perder algo que verdadeiramente te faz melhor, mais feliz, mais completo. Do quão arriscado é entregar-se àquilo que pode dar certo, daquilo que tu realmente quer que dê certo.

O efêmero, o passageiro, o “fácil” agora me parecem tão vazios. O medo do avião é infinitamente maior do que o do navio quando se acredita naquilo pelo que se luta.

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