O HOMEM MORCEGO

Assisti ao último filme do Batman no cinema e me surpreendi. Conheço muito pouco sobre histórias em quadrinhos, super-heróis e coisas do gênero. Essas histórias nunca me chamaram a atenção e fui assistir ao filme de sangue doce. E não é que gostei muito. Incrível como quando esperamos pouco das coisas, elas tendem a nos surpreender.

A história é incrivelmente complexa e em certos momentos um verdadeiro tapa na cara da sociedade. Ou talvez eu esteja dando uma interpretação um tanto quanto política e socialmente relevante para um filme que pretendia ser somente mais um thriller Hollywoodiano. Vai saber.

Mas me impressionei mesmo foi com o Batman e sua história. Bruce Wayne, o milionário calado e órfão, que de dia vive a vida que a sociedade espera que viva. Vai a festas, conduz um grande negócio, se relaciona com pessoas importantes. Tudo acima de qualquer suspeita. E a noite se veste de preto e vai salvar o mundo, usando mascara e vestimentas que impeçam que qualquer pessoa descubra quem ele  realmente é.

Claro, há algo de heroico e altruístico em se mascarar para salvar o mundo, mas parte de mim acha isso insuportavelmente covarde também. Além de me dar uma pena danada do pobre coitado. Ter que fingir ser outra pessoa para poder salvar todo o mundo deve ser um tanto quanto cansativo. Viver uma vida dupla também.

A segurança de ninguém saber quem tu realmente é. Claro, “ninguém tem nada a ver com a vida de ninguém”,  “da minha vida cuido eu” e “não devo explicação a ninguém” são bordões plenamente aceitáveis. E covardes. Será que esconder o que se é realmente não tem mais a ver com nossa própria insegurança e medo de ser rejeitado do que com proteger nossa intimidade e a daqueles que amamos?

Não sei. Não consigo entender porque alguém esconderia ser o responsável por salvar toda uma cidade. Ou porque alguém escolheria viver uma vida dupla, vestir-se conforme manda o personagem, conforme convém a ocasião, tudo de acordo com o que a sociedade define como correto.

Deve ser insuportável ter que conviver com essa dupla personalidade. Medir palavras, não contar histórias por inteiro, esconder-se, nunca revelar-se por completo com medo de que um só comentário revele a identidade secreta. E quando essa tal identidade secreta não faz mal para ninguém, não interfere na vida dos outros de maneira negativa ou definitivamente “não te diz respeito”, ter que esconde-la é ainda mais exaustivo.

Talvez não tenha entendido o filme. Como disse, sou estranha ao mundo dos quadrinhos e quem sou eu para julgar o Batman? Mas  pensando bem, talvez tenhamos muito em comum.

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2 pensamentos sobre “O HOMEM MORCEGO

  1. Cati Vaz disse:

    Não acho q seja covardia se esconder atrás da máscara, acho que eles se protegem. Muito do q eles fazem é crime pra quem não é da polícia, um super herói é, acima de tudo, um juiz. Imagina a quantidade de processos, imagina o risco q as pessoas ao redor dele estariam correndo se todos soubessem quem ele é..

    • lillybz disse:

      É verdade, Cati! Pensando por esse lado, talvez pro Batman seja necessário usar a máscara. E pro resto de nós, qual seria a desculpa? Muito obrigada pelo comentário! Beijão

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