GUERRA DO (FIM DO) AMOR

Mesmo algo tão lindo e puro como o amor pode se transformar em uma guerra. Não sei se quando chegamos a esse ponto ainda há amor, mas certamente algumas batalhas são travadas antes que ele se acabe por completo. Existem as guerras sangrentas, aquelas expostas, claras e que derramam sangue aos olhos de todos e as guerras frias, silenciosas, que não dão sinal de que estão prestes a eclodir – pelo menos não para quem vê de fora- até que, um belo dia, destrói tudo que estava ali.

Acontece. E, como em toda guerra, há agressores e feridos, vitimas e algozes, ainda que nesse caso dificilmente existam vencedores. Para os algozes, sobra a culpa, o seguir em frente, a eterna indecisão. Para as vítimas, a dor, a dor e a dor.  Resolvi me concentrar nas vítimas.

Talvez seja essa a posição que mais sofra, mas por um lado é também a mais confortável. Todos se solidarizam com quem tomou um belo pé na bunda. Há conforto, apoio, compreensão. Todos  entendem, defendem, oferecem o colo amigo.

Há uma certa segurança em ser deixado. Não há nada que você podia ter feito. A decisão não foi sua, uma simples baixa de uma batalha que, em alguns casos, sequer escolheu travar. Um pobre coitado. E todos te entendem.

A vítima pode tudo. Pode surtar, arrepender-se, correr atrás. Pode perder a dignidade, a vontade, a razão. A vítima pode sofrer, o algoz deve ser forte. É inclusive permitido permitir-se. Sim. Àquele deixado para trás é concedida a dádiva de seguir em frente sem enfrentar os olhares julgadores de todos a sua volta.

Não há vencedores quando o amor virá uma guerra. Perde-se o amor, perde o amor, perdemos todos.

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