AINDA SOBRE O FIM (OU POR UM SOFRIMENTO MAIS LEBLON)

LEBLON

É quase impossível não sofrer com o fim de um relacionamento. De uma forma ou de outra se sente muito. Quando se é deixado, quando se deixa, mesmo quando tudo acontece de forma consensual, ainda assim, o sofrimento é quase inevitável. Mas existem graus de sofrimento. E maneiras de se sofrer também.

Nunca me esqueço do conselho que recebi de uma de minhas melhores amigas durante um dos meus piores rompimentos: “Nega, sofre! Mas sofre um pouco menos ‘Maria do Bairro’ e um pouco mais Leblon.” Tiro e queda. Confesso que tenho uma leve tendência a levar meus sofrimentos de uma maneira meio dramalhão mexicano e de vez em quando preciso daquele leve toque de realidade.

Evidente também que a dor de ser deixado é infinitamente maior do que a dor de deixar. E não me venham com essa história de que é igualmente difícil, porque isso é papo pra boi dormir. Ser deixado fere o ego, a autoestima e é capaz de deixar a pessoa em frangalhos. E ainda pior do que ser deixado é ser trocado. Aí o pobre do coração quase morre, quer parar, descer do mundo, desistir dessa história de se apaixonar, afinal, isso só traz coisa ruim. Mesmo sabendo que passa.

Mas de todas as dores, de todos os sofrimentos, a pior, a mais dolorosa e a que demora mais a passar é aquela de quem, ao perder o relacionamento, perde também a dignidade. Acredite. Quando se perde a dignidade, dói em dobro. E a recuperação é muito mais dolorosa também. Experiência própria.

Gosto muito de conselhos e recebi daquela mesma amiga outro conselho valioso. Aprendi com ela que existe uma linha tênue que separa aquilo que devemos fazer para lutar pelo amor e o desespero total e absoluto que caracteriza a perda da dignidade. E foi com ela que aprendi também que enquanto não se ultrapassou essa linha, os amigos podem – e devem- fazer de tudo para segurar o cidadão que insiste em pegar o celular, entrar na página do facebook ou frequentar os lugares de alto risco. Mas que depois que essa linha foi cruzada se pode fazer muito pouco ou quase nada por aquele que insiste em cometer atos desesperados.

E é verdade. Entre os momentos de desespero existem momentos de lucidez, onde o sofrenildo da vez percebe o quão patético foram os atos cometidos e resolve tentar concertá-los. E é claro que, como de costume, a emenda é pior que o soneto e acaba-se criando uma bola de neve sem fim. Não é fácil sair desse círculo vicioso. Só com muita boa vontade. E tempo, que sempre acaba curando tudo.

Ah, como é doloroso o fim para aquele que perdeu a dignidade. Para aquele que ligou quando não devia, fez perguntas que não podia, que insistiu mesmo sabendo que não se mendiga amor e que não se convence ninguém a gostar da gente. Como é triste para aquele que se perde no meio da perda e se vê fazendo coisas que, até então, julgava ridículas, pequenas, desesperadas.

Mas só quem passa por isso – e quem nunca passou?!- sabe que assim também se cresce. Às vezes é importante encarar um de nossos piores lados pra se ter certeza que não quer cruzar com ele de novo. Mas se eu pudesse dar um só conselho, diria para não cruzar a linha e sofrer sempre mais Leblon.

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2 pensamentos sobre “AINDA SOBRE O FIM (OU POR UM SOFRIMENTO MAIS LEBLON)

  1. Perla Gomes disse:

    Excelente! Adorei! O negócio é sofrer, aprender e seguir em frente! 😉

  2. lillybz disse:

    Sem dúvidas. Perla! O negócio é não desistir nunca! Até porque quando chega o próximo amor (e ele sempre acaba chegando), a gente vê o quanto aprendeu com todo o sofrimento!

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