QUANDO O PRIMO CASA

Gosto de casamentos. Já até escrevi sobre o quanto esse ritual me alegra e emociona. Não o considero antiquado ou em desuso. Acho que toda celebração do amor deve ser respeitada e gosto de pensar que sou capaz de respeitar toda forma de amor. E o casamento nada mais é do que isso: a celebração do amor entre duas pessoas que resolvem dividir seu momento com o mundo inteiro. Adoro celebrações. Adoro o amor.

Já fui a alguns casamentos, mas nunca havia presenciado alguém de minha família casar, quanto mais alguém muito próximo. Tenho 8 primos irmãos por parte de mãe. Todos homens. A diferença de idade do mais velho para o mais novo é de 16 anos, mas considerando que somos 9, crescemos todos juntos, meio embolados, meio irmãos.

Sou a terceira mais velha e cresci, principalmente, junto de 3 dos meus primos que tem quase a mesma idade que eu. E como os três eram irmãos, acabava passando muito tempo com eles. Quantas histórias. Tardes inteiras andando de carrinho de lomba, brincando de comandos em ação, jogando futebol, inventando histórias e tantas outras brincadeiras.

No verão ficávamos todos na casa de minha avó em Imbé e lá tinha mais confusão e brincadeira. Noites na varanda brincando de polícia e ladrão, pega-pega, esconde-esconde e tantas outras coisas que só quem é do Imbé sabe.

Lembro-me como se fosse ontem quando meus primos mais velhos disseram para minha mãe não se preocupar que me ensinariam a andar de bicicleta. Prontamente os dois tiraram as rodinhas da minha “bici”, me disseram pra subir e me jogavam de um lado pro outro gritando “pedala”!! E não é que aprendi. Primo é pra essas coisas.

Claro que nem tudo são flores e havia o que hoje seria chamado por especialistas de Bullying do mais alto grau de tortura. Xingamentos, brincadeiras um tanto quanto agressivas e choro, muito choro. Mas entre mortos e feridos, salvamo-nos todos e muito bem obrigada. Foi uma bela infância a nossa.

E nesse final de semana, fiquei saudosa daquela época simples e fácil. Me deu saudade das noites no Imbé e das tarde na Mathias José Bins. Enquanto entrava na Igreja de braços dados com uns dos meus primos, pude ver o primo do meio já no altar ao lado do seu par e meu primo mais velho posicionado esperando a entrada de seus padrinhos e madrinhas, para então recebermos aquela que ele escolheu como sua noiva.

Olhei-nos ali, tão elegantes, civilizados e emocionados e só conseguia lembrar dos dias de pés descalço correndo pelo Imbé. Das brincadeiras, das brigas, de uma infância e adolescência de memórias. De todos os natais, dos aniversários, das coisas que fizemos juntos e de como a vida deu seu jeito de, ainda que tenha nos afastado um pouco, nos manter unidos por tanto tempo.

É engraçado ver o primo casar. Alegria e nostalgia se misturam em um só momento. E fica a feliz sensação de que agora já não serei a única mulher entre os 8 homens: no último sábado ganhei uma prima.

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Um pensamento sobre “QUANDO O PRIMO CASA

  1. José disse:

    Muito bem escrito Lele! Nos funerais tb sentimos este amálgama de sentimentos…

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