SUMATRA E A VERDADE

Andei pensando sobre a verdade. Não sobre o seu conceito filosófico, jurídico, sociológico ou psicanalítico. Não me atreveria a ir tão longe. Pelo menos não publicamente. Andei pensando sobre as tantas verdades ditas e não ditas no nosso dia a dia.

Sempre me incomodei com essa história de que falar a verdade é sempre o mais importante. Não me considero uma mentirosa, tento ser o mais honesta possível – comigo e com os outros- mas me preocupa quando todos acreditam que o que tem a dizer é a verdade absoluta.

Acho perigoso quem tenta disfarçar comentários rudes com a frase “ué, não sei por que ela se ofendeu, eu estava apenas sendo sincera”, como se “ser sincera” fosse um indulto para cometer todo e qualquer tipo de grosseria.

Aí me deparei com um trecho de um poema da Sumatra Ocidental em que a mãe esta aconselhando seu filho:

“ Sempre diga a verdade

Levando em consideração as boas maneiras,

E procurando entender os sentimentos alheios.”

Na mosca. Depois de tanto pensar sobre o assunto, encontrei a resposta que procurava em um livro de antropologia que cita um poema da Sumatra Ocidental. A solução pode vir dos lugares mais inesperados. Falar sempre a verdade, mas sem esquecer da educação e, principalmente, de quem estará recebendo aquela sua “verdade”.

Mesmo porque, é sempre bom lembrar que por mais que você acredite que algo seja verdade, há uma grande probabilidade que seja apenas o seu ponto de vista sobre aquela situação. E talvez a outra pessoa não esteja tão interessada assim naquilo que você tem a dizer.

Ser honesto, verdadeiro, integro, não tem nada a ver com ser grosseiro, rude ou arrogante. Viver o que se diz, dizer o que se pensa, só tem sentido quando o receptor é respeitado.

Nem tudo que se pensa merece ser dito em voz alta. E às vezes tenho a impressão que muito do que é dito em voz alta foi pensado. Pode parecer presunçoso, arrogante ou até um tanto quanto lúdico, mas acho que se todos pensassem nos sentimentos alheios antes de ir proferindo suas “verdades”, o mundo pudesse ser um mundo um pouco melhor no mínimo, mais tolerante.

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