29.º ANIVERSÁRIO

29 são quase 30. Quase 30 anos de vida. Há quem se incomode com o passar dos anos, que passe cada aniversário com um aperto no coração pensando que deveria estar melhor, que deveria ter conquistado mais coisas, que deveria ter feito isso ou aquilo. Preocupam-se com tudo o que não tem ainda e angustiam-se por não saber se um dia terão tudo aquilo que almejam. Mas eu não. Pelo menos não no dia 30 de julho.

Comemoro meu aniversário todos os anos desde que nasci. Já são 29 dias 30 festejados. E não me contento em comemorar uma só vez: faço questão de celebrações diversas e em dias diferentes. Talvez seja meu lado leonino que goste de receber os parabéns e se sentir especial, mas acredito que seja mais do que isso. É que realmente tenho muito a comemorar.

Comemoro 29 anos muito bem vividos. 29 anos que dariam uma excelente séria de TV ou coletânea de livros, tamanhas histórias que já vivi. Não que tenha feito muita coisa diferente das demais pessoas, muito antes pelo o contrário: a vida de todo mundo daria uma grande série de TV, basta prestar atenção nos detalhes.

Nesses 29 anos já conheci lugares incríveis e ao conhecer todos esses lugares aprendi a gostar ainda mais do meu lugar. Descobri que aonde resolvo morar é menos importante do que como me sinto comigo mesmo e que é possível sim ser feliz em qualquer canto deste mundo, desde que se tenha vontade, mente aberta e pessoas bacanas do teu lado.

Nesses quase 30 anos pude conviver com os mais diversos tipos de pessoas. Ouvi histórias fantásticas e pude perceber que o ser humano, ainda que seja muito diferente, que venha de lugares distantes e com histórias de vida completamente distintas são bastante parecidos em muitas coisas. Gosto de ouvir as pessoas e ouvindo pude perceber que as nossas angustias, medos, alegrias, amores, dores e felicidade são mais parecidos do que a gente imagina. Há um certo conforto na proximidade. E ao mesmo tempo aprendi que são as nossas diferenças que fazem do mundo um lugar mais interessante.

Em 29 anos estudei e trabalhei um bocado. Ainda não conquistei os louros de meu esforço e, para ser bem sincera, já peregrinei um pouco nesse quesito. Já fiz estágios variados, servi cafezinho, fui garçonete, advoguei e dei aulas de inglês. Hoje me considero uma advogada e professora de inglês, que pretende estudar ciências sociais e antropologia. A eterna angustia entre fazer o que se gosta, ganhar dinheiro, estabilidade, expectativas, alegria em trabalhar, são tantos os pontos a serem analisados. Alguns podem achar que estou meio atrasada no quesito profissional, mas eu discordo. Já pude experimentar profissões diversas e tenho até o privilégio de voltar atrás em minhas escolhas e recomeçar da onde, talvez, não devesse ter saído. Ou devesse. Nunca se sabe. Tenho os próximos 30 anos para decidir minha carreira.

Em quase 30 anos que vivi, me apaixonei e desapaixonei algumas vezes. Sofri, fui feliz, aproveitei e deixei de aproveitar. Já me machuquei bastante e me deixei machucar mais ainda. Fui rejeitada e rejeitei. Mas também já fui amada e soube amar de volta. No quesito coração, só aprendi que a gente sobrevive sim a um coração partido (mesmo que toda vez que isso aconteça eu tenha que reaprender) e que, no final das contas, o amor tem que fazer bem. Senão não vale a pena. E ele tem valido a pena.

Nos 29 anos que já vivi, convivi com uma família maravilhosa que me foi dada desde que nasci. E tive a sorte de adquirir famílias igualmente maravilhosas pelo caminho. Não sei se sorte, acaso, coincidência ou algo maior, mas até aqui pude sempre contar com pais, irmãos e todo o “familião”, reais e emprestados, que sempre me deram carinho, abrigo, conselhos, broncas e muito amor. Sou uma pessoa de sorte.

Nesses quase 30 anos fiz muitos, mas muitos amigos. Alguns se perderam pelo caminho, pois dentre meus muitos defeitos está a minha dificuldade em manter contato com as pessoas. Mas todos e cada um foram e são muito especiais. E é por isso que comemoro tanto meu aniversário: pelos meus amigos. Não pelos lugares em que estudei, trabalhei, joguei voley ou morei, mas sim pelas pessoas que esses lugares trouxeram para minha vida. E porque estas pessoas trouxeram mais pessoas e fui fazendo amizades tão bonitas e verdadeiras que é difícil explicar. Algumas são fugazes e duram apenas o tempo necessário para que se fique com aquela boa lembrança e não acho que sejam menores por causa disso. São igualmente essenciais para a felicidade e sobrevivência, pois fizeram parte daquele momento. Sinto saudades dos amigos do passado e muita ternura em lembrá-los. Já outras perduram por anos e anos. Vencem os obstáculos da distância (física e emocional), da rotina, da falta de tempo e das diferenças. São amizades que chegam de repente ou se constroem aos poucos, mas que duram uma eternidade. Aqueles amigos de se contar nos dedos (ainda que precise dos dedos das mãos, dos pés e mais uns tantos para contar os meus).

Então é por isso que comemoro meus 29 anos. Porque tenho muito o que comemorar e não tenho medo de envelhecer. E decidi seguir o conselho de minha avó que no auge de seus 85 anos me ensinou que um dos segredos é se viver tudo que cada idade tem de melhor. Amanhã volto a me preocupar em como deveria ser minha vida, como será futuro profissional e outras questões existências que tanto me incomodam. Mas só amanhã.

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Um pensamento sobre “29.º ANIVERSÁRIO

  1. Jaqueline disse:

    Lindo e honesto texto.
    Gostei muito.

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