CONVENCER A ME AMAR

 Está decidido: não vou tentar convencer mais ninguém a me amar. Chega. Cansei de ter que mostrar que sou querida, inteligente, que tenho bons modos, que gosto de boas músicas, que sou dedicada sem ser grudenta, que falo as coisas certas na hora certa e que seria o par perfeito pra ti. Não. Não vou mais me esforçar. Se até agora tu não percebeu, bom, então talvez não fosse para ser mesmo.

E não adianta dizer que tem medo de se entregar, que sofreu muito no último relacionamento e que não está pronto para se envolver novamente. Repetir que me adora, que está apaixonado, que é louco por mim, mas que não está pronto para nada mais sério. Como assim?

Porque quando tu me diz essas coisas, só me ocorrem duas possibilidades: ou tu é um mentiroso ou um covarde. Isso mesmo.

Deve estar mentindo quando diz todas as palavras bonitas, quando me faz serenatas, me busca no trabalho, me faz um jantar ou me liga só pra dizer boa noite. Deve estar me enganando quando afirma que é louco por mim, que eu sou incrível e que a vida ficou melhor depois que eu apareci. Nada disso pode ser verdade. Devo estar sendo alvo de um mentiroso patológico, alguém dissimulado, que não tem medo de brincar com os sentimentos alheios só para ter o prazer imediato. E eu não gosto de mentirosos.

Mas claro, há a possibilidade de que tu não mintas. De que sejas sincero, que me adores e que a gente realmente se faça feliz, se faça bem e que estejamos apaixonados. Neste caso, me desculpe, mas tu não passa de um covarde. O amor é para os corajosos, para os que se entregam, para os que não tem medo de sofrer. O amor, esse de que tanto falo, é para os que acreditam, os que sabem que para receber tudo de bom que ele pode trazer, é preciso dar o amor em troca. O amor é para os altruístas, os bravos. Se entregar é para os fortes e só os fortes sabem amar de verdade. O amor é um risco. Um risco que eu escolheria correr ao teu lado.

Mas não vou mais tentar te convencer de que eu te faço bem, de que o risco vale a pena. Por enquanto, ficarei somente tentando me convencer de que tu não és nem um mentiroso nem um covarde, mas somente alguém cauteloso, prudente e que sabe esperar a hora certa. Mas até disso eu posso me cansar. E faz tempo que deixei de investir em mentirosos e covardes.

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