PERDER-ME DE MIM

Desamarrei-me de mim. Desprendi-me daquilo que era, das minhas idéias tão enraizadas, das minhas angustias, dos meus medos e das minhas carências. Desatei-me das expectativas, dos medos, infundados ou não, e da pressão. Simplesmente fui.

Decidi ser aquilo que seria se pudesse ser o que quisesse. Mas não sabia o que queria ser e ao invés de pensar sobre isso, de traçar planos, metas e preocupações, decidi ir, fazer, tentar. Mais uma vez. E fui.

Carreguei comigo um bloco, um lápis e nenhuma idéia na cabeça. Resolvi escrever o que queria, sobre a primeira coisa que surgisse em minha mente. Não seria mais minha mais ferrenha crítica, julgadora e cerceadora. A partir daquela hora, bastava surgir na cabeça para passar para o papel. Sem filtro, sem críticos, sem medo. Tudo o que eu era, o que eu sou e o que gostaria de ser se não fosse assim, tão eu.

Tentei construir uma vontade única, uma constância inventada para tentar acalmar essa inquietação incessante que já é tão minha. Uma personagem, uma nova eu. A pessoa que gostaria de ser. Fiz perguntas a amigos imaginários e reais, mas nenhuma descrição me convenceu. Continuava muito parecida comigo. Pesquisa de campo sobre mim mesma. Loucuras de uma louca que não queria mais ser.

Tanto fiz que consegui. Reconstruí-me, reinventei-me. Fiz as mudanças que achei que era capaz. Projeto acabado, personagem criado e me olho no espelho. Acabei aqui comigo. Voltei a ser eu mesma. A gente nunca escapa de si.

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2 pensamentos sobre “PERDER-ME DE MIM

  1. Jose disse:

    Já era tempo…

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