ENQUANTO O RESULTADO NÃO VEM

MOCHILAUm dos motivos pelos quais fiquei dois meses sem escrever foi a preparação para a  prova de mestrado. Exatos três anos e seis meses depois de dar os primeiros passos nesta direção, finalmente tive coragem de me preparar. Incrível como o medo atrapalha. Ou talvez, como diria minha psicóloga, eu não quisesse tanto assim e precisasse fazer outras coisas antes desta prova. Ou ainda, visse o mestrado como uma salvação da lavoura, a resposta mágica para todos os meus problemas e, por isso mesmo, tenha decidido por nem fazer a prova: melhor manter a resposta mágica – que nunca existe- como uma idealização, assim ela fica sempre lá, em stand by, de sobre aviso, um eterno “e se eu tivesse feito aquela prova.”

Mas esse ano, contando com a pressão de amigos e com uma coragem um tanto quanto inusitada, resolvi me preparar de verdade. Frequentei aulas, assisti palestras, estudei pra caramba. Li, reli, fiz resumo, escrevi e li mais um pouco.

Contei com a ajuda de anjos que surgiram no meu caminho para me ajudar e, unindo forças, tudo foi se tornando mais concreto, mais real, mais palpável, mais possível. 3 anos e meio se passaram e hoje, nesta terça-feira quente de verão, eu fiz a entrevista da seleção de mestrado. E não morri. Tampouco sei o resultado. Talvez tenha passado, talvez não. Só na sexta-feira saberei o desfecho desta odisseia.

Mas aqui, hoje, depois te tantos ensaios, aproximações e encorajamentos. Depois de tantas buscas, leituras e palavras de apoio. Depois de tudo, me pergunto por que, finalmente, resolvi tentar. Por que, depois de todos estes anos, tive coragem de me inscrever, de estudar e de ir fazer a prova? Não tenho uma resposta, mas pensei em algumas possibilidades.

Primeiro, já não acho que o mestrado seja a minha resposta mágica. Aliás, acredito que essa migração será somente o começo de muitas outras dúvidas. Mas são dúvidas que eu estou gostando de ter. Foi preciso aceitar que eu não terei as respostas para entender as perguntas. E isso me deu confiança para abandonar o certo, deixar o direito um pouco para trás, aceitar que mudar é também um ato de coragem. E que buscar o que se quer, o que se sente, o que te faz bem, é sempre um risco que vale a pensa ser corrido.

E eu já não tenho mais medo de passar. Depois de ler, ouvir, entender um pouco, senti que posso sim fazer parte daquele mundo. Que ele não é maior do que eu e que eu sou capaz de estar ali. Sentir-se confortável, confiante e apta para uma tarefa é a primeira etapa para começar a preparação. E eu me preparei.

Não sozinha, porque nada é feito sozinho. Preparei-me com a ajuda de uma amiga que esse processo de seleção me deu, de tantos outros amigos queridos e com uma torcida gigantesca que fez meu coração transbordar de alegria. Sem medo de pedir ajuda, pedi a ajuda de todo mundo e recebi toda ajuda do mundo. Sou uma guria de sorte.

E por fim, talvez a grande diferença deste ano para o remoto ano de 2010, é que eu não tenho medo de não passar. Eu sei que não passar é uma possibilidade, que há um número limitado de vagas e que, talvez, apesar de todo meu esforço, de toda minha dedicação, de toda ajuda que eu recebi, eu fique de fora. E eu não tenho medo de ficar de fora.

Não passar não será um fracasso, pois a tentativa, o esforço, o empenho, foram a minha vitória. Pode parecer papo de perdedor. Eu mesma, durante anos, julguei esse tipo de conversa como a conformação dos derrotados e talvez por isso tenha me privado de tantas tentativas. A minha vitória foi sim esse caminho. E se der tudo errado, se apesar de tudo o que eu fiz, outras 15 pessoas forem melhores do que eu, ano que vem tem mais e eu farei tudo de novo. É isso que eu quero. Uma hora eu consigo.

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6 pensamentos sobre “ENQUANTO O RESULTADO NÃO VEM

  1. Suzana disse:

    Sempre te achei ,uma menina/mulher , de muita coragem, pois para viajar o mundo, se adaptar a difejrentes culturas e viver intensamente como me parece que vives demonstram muita força interior. E seja qual for o resultado dessa nova etapa Parabéns por tentar. Suzana

  2. Débora disse:

    Helena, que legal!
    Parabéns pela iniciativa. Tu estás fazendo seleção para qual Mestrado?
    Também estou na mesma situação, mas minha entrevista é só semana que vem….esse misto de espera e angústia é como reviver um pouco a época de vestibular né…
    Boa sorte!!!!
    Beijão

    • Oi Débora!! Fiz para Antropologia Social. Realmente é um processo bem angustiante e que demora pra passar. Me lembrei muito do vestibular e é uma sensação parecida mesmo 🙂 mas vale a pena! Hehe beijao e boa sorte pra ti também! Vou torcer!!!

  3. PATRICE SCHUCH disse:

    Que lindo texto, Helena!!! E PARABÉNS, foste muito bem colocada e será um prazer te ter entre nós!! Fico feliz em ser tua parceira neste processo que se inicia! Beijo grande! Patrice

    • Oi, Patrice!! Muito obrigada pelas palavras e pelo apoio durante todo esse ano! Com certeza as aulas, as conversas e os eventos só me fizeram ter mais certeza de que eu agora estou exatamente aonde sempre quis estar. Grande Beijo!

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