IT’S MAGIC

Magical_hatHoje fiz uma apresentação de mágica para 13 crianças com idades que variam entre 4 e 9 anos. Nunca havia feito uma apresentação de mágica antes e, para ser sincera, até a semana passada nunca havia passado tanto tempo com tantas crianças juntas em uma mesma sala.

É incrível como a vida dá voltas. Ano passado, nesta mesma época, estava comemorando o recesso forense, trabalhando longas horas em um grande escritório de advocacia, passava o dia fechada dentro de uma sala, mas minha janela tinha vista para o rio. Trabalhava em trajes sociais, condizentes com a dignidade da profissão. Menos nas sextas. Aparentemente às sextas-feiras pode-se esquecer a dignidade da profissão e vestir roupas um pouco mais confortáveis.

Mas não esse ano. Este ano, no quente verão porto-alegrense, estou fazendo um show de mágica para crianças que vão passar as tarde na colônia de férias da escola. E essa foi só uma das tantas atividades. Sigo vestida de acordo com a dignidade de minha profissão, só que esta profissão sabe que a dignidade de uma pessoa não está nas roupas que ela veste. É algo muito maior do que isso.

Mas comecei este texto para falar que ontem, em pleno domingo à tarde, tive que ir para frente do computador aprender a fazer truques de mágica. Procurei alguns que me pareceram simples demais, óbvios demais, claros truques que seriam facilmente descobertos pelos olhos atentos daqueles pequenos seres. Não costumo trabalhar com crianças e sempre me surpreendo com sua esperteza e astúcia. Eles são incríveis.

Apesar da desconfiança inicial, acabei fazendo os truques mais simples. Até mesmo porque, os mais básicos truques, ante minha total falta de experiência mágica, demandaram uma boa dose de treino para saírem conforme o desejado.

E hoje fui fazer minha apresentação. A primeira apresentação ilusionista de minha vida. Peguei meus truques simples, coloquei minha roupa condizente – velhos hábitos são difíceis de quebrar- e me apresentei. De cartola e colete, comecei o show com a certeza de que todos os meus truques seriam descobertos. E não foram.

Não porque eles eram incríveis, não porque as crianças não sejam perspicazes, mas sim porque elas, sempre tão curiosas, tão interessadas, tão espertas, estavam ali para ver a mágica. Lá, naquele momento, naquela tarde, meus truques se transformaram em mágica pelo simples fato de que a plateia estava procurando pela mágica em minha apresentação e não pelos truques.

Eles não perderam nada ao não saber o segredo de cada uma daquelas ilusões. Não se sentiram enganados, não fizeram muitas perguntas, não quiseram saber o porquê de cada uma delas. Eles apenas sentiram, viram e viveram aquele momento de tantas mágicas. E como se divertiram. Nunca deixar de ver a mágica por estar preocupada demais com os truques. Foi isso que eles me ensinaram hoje.

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