A MESMA ESQUINA

Reencontramo-nos por acaso, em um destes acasos que a vida teima em fazer acontecer. Confesso que andava meio triste, muitos desafetos, desamores e desencontros aconteceram desde aquela triste noite de verão em que nos separamos  pela última vez. E sempre depois de um desamor, acabava pensando em nós. Não sei se éramos felizes em nossa loucura passional ou se simplesmente estávamos acostumados com a disfunção que era nosso amor, só sei que sempre lembrava dele quando quebrava mais uma vez a cara e o coração depois de uma tentativa de amar de novo.

Mas aí vem a vida e me faz cruzar contigo em uma esquina qualquer dessa cidade tão cheia de gente. Conversamos por um tempo e me lembro como era simples a nossa conversa, como era fácil te contar de mim, te falar o que eu penso e despejar todas minhas angustias e ansiedades no teu colo. Como era quente teu abraço, suave a tua voz e tranquilizadores os teus olhos. Esqueço todo o resto. A memória teima em ser seletiva nessas horas e eu teimo em acreditar sempre em uma segunda chance (ainda que esta seja  nossa décima quinta segunda chance).

Você mudou, cresceu e esses anos te fizeram bem. Voltou para terapia, superou o ciúme enlouquecedor e isso te fez mais leve. Voltou para academia, terminou aquele curso e agora pode se dedicar mais ao trabalho e as coisas que realmente gosta de fazer. Parece mais seguro, mais confiante, mais você. E eu continuo sendo eu. Porque não tentar mais uma vez? A gente faz tanto sentido em nossa falta de sentido.

Mas quase esqueci que eu também havia mudado. Talvez mais do que tu ou quem sabe somente para lados diferentes, não sei. Teu olhar continua terno, tua voz ainda me acalma e ainda não encontrei abraço melhor do que o teu. Ainda penso em ti toda vez que vejo um casal feliz andando pela rua e imagino como seria se nós também conseguíssemos ser felizes. Mas a gente não consegue. E essa loucura passional, essa tensão que me agride e depois pede desculpas, essa loucura que me consome e me faz enlouquecer a cada minuto de atraso, a cada palavra mal entendida, a cada beijo de reconciliação já não me completa mais. Mudei minha forma de amar e quando te encontro acabo amando daquela forma antiga, daquela forma que me faz mal, que me machuca e perturba.

Tu é meu amor ao avesso, meu velho hábito, meu vício e conforto. Mas a vida e seus acasos nos colocaram na mesma esquina de novo. Só que dessa vez eu vou seguir caminhando sozinha.

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