(QUASE) TRINTONA

Em uma semana passarei a ser trintona. Nunca me preocupei muito com isso, para falar verdade nunca pensei muito sobre a idade e sobre estar me tornando mais velha. Apesar de toda a minha ansiedade, ficar mais velha nunca me pareceu um problema. Mas ao que tudo indica, deveria começar a ficar preocupada com o peso dos 30 anos. Então hoje me olhei bem no espelho só para lembrar de como eu sou ainda na casa dos 20. Embora duvide que muito irá mudar em 8 dias, resolvi perder alguns minutos para prestar atenção em mim e no meu rosto de hoje.

Parei e me dei conta que tenho quase 30 anos. Quase 30 anos e não me tornei nada daquilo que sonhava ser quando criança. Mas me tornei tantas outras coisas durante esse tempo todo, que os sonhos de criança não me fizeram falta realmente.  É verdade que quanto me perguntavam o que queria ser quando crescesse, jamais imaginei que com quase trinta anos responderia que sou uma professora de inglês, aspirante a antropóloga e advogada. Não necessariamente nessa ordem. Mas sejamos sinceros, se me perguntassem isso há cinco anos, também não imaginaria essa combinação de adjetivos para descrever minha atual situação profissional. Assim tem sido os últimos trinta anos.

A verdade é que durante esse tempo tive a sorte de conseguir fazer a maioria das coisas que me propus a fazer. Algumas com maior facilidade, outras depois de algumas tentativas, mas sempre acabei fazendo. Verdade também que mudei de ideia umas tantas vezes e começo a acreditar que a constância talvez não seja realmente meu forte. Ou talvez seja a constância dessa minha inquietação por buscar o que eu gosto que me trouxe até aqui. De qualquer jeito, deve ter servido para alguma coisa.

Tenho quase 30 anos e durante esse já não tão curto tempo de vida pude fazer muito mais coisas do que imaginava que teria feito. E deixei de fazer tantas outras que pensava que faria. Os caminhos foram mudando enquanto eu mudava. Ou então fui eu que mudei enquanto mudavam os caminhos. Não sei dizer ao certo.

Durante esse tempo saí de casa 3 vezes para viver aventuras longe do lar. Em cada uma delas aprendi muito sobre lugares diferentes, pessoas diferentes e situações até então inusitadas. E aprendi ainda mais sobre mim. Aventurei-me 3 vezes longe de casa e hoje, com quase 30 anos, moro na casa dos meus pais.

Em quase 30 anos morri de amores algumas vezes. Sofri bastante e tenho a leve impressão de que também fiz sofrer em alguns momentos. Gostaria de poder dizer que foi sempre sem querer, mas a verdade é que já fiz sofrer quem eu muito gostava mesmo sabendo que isso ia acontecer. Coisas da vida, eu digo para mim hoje no espelho. Espero que tenha sido perdoada. E assim como sofri, fui muito feliz. E muito feliz com pessoas que são tão diferentes entre si que só corroboram a hipótese de que a constância de fato não me acompanha.

Olho-me no espelho e penso nesses quase 30 anos. Sinto uma leve nostalgia, saudades de lugares, pessoas e ocasiões. Vou mais longe e sinto saudades de tudo que poderia ter sido se tivesse sido a pessoa que não sou. Deixo a saudade de lado. Sou eu quem está dos dois lados do espelho. E mesmo com tantas angustias, mesmo com tantos defeitos, com tantas dúvidas e tantas inquietações sinto-me feliz pelos últimos quase trinta anos. A única certeza que tenho é que não faço ideia de como serão os próximos.

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